26 setembro 2012

mau poeta

o poeta artesão põe-me em dúvida nas questões mais cruciais;
será que existe em mim algum resquício de poeta?
confesso que em mim deva surgir
uma certa inspiração,
um êxtase inconsciente
de transformar em linguagem aquilo que sinto.
mas hesito,
admito as más construções
e os receios da racionalização.

Me ocorre, inevitavelmente,
a consciência de um horror imediato
real, de sangue, de mim-mesma.
peço humildemente para que reveja, caro artesão:

o real pra mim é apenas escuridão, não posso enxergar.
é na beleza inconsciente
das coisas que não existem dentro de mim
que surgem as palavras.

Um comentário:

Thiago Cestari disse...

lindo! faz vazar mais poemas dessa beleza insconsciente!