bêbada romântica é mais ou menos como me sinto agora
24 Maio 2012
14 Maio 2012
27 Abril 2012
o tempo não existe e
nao existe em mim nada que nao seja essa fome
derradeira
essa fome de céu
esse querer te segurar por um instante e
além do pecado e do espaço
é querer até sangrar
até diluir-se
até não saber por onde começar
senão pelo tempo;
te imploro tempo que
se existes por favor não deixe que seja amargo
não deixe que ocorra
os
rancores
as
angústias
profundas
da separação.
e depois de tanto.......
te imploro tempo
para que contemple ao menos isso -
não me faça mais uma vez ser tão piegas
10 Janeiro 2012
nessa ausência de poesia há ainda
uma singela compreensão.
redescobrir,
sem querer,
a dificuldade de amar
e mesmo assim
querer com toda força
tua feição:
tão séria
tão bonita
indecifrável.
não vejo e não vês
mas permaneço
adentro no mais fundo que há em ti
e busco teu coração de menino
tua palavra mais doce - difícil caminho
que percorro sem salvação.
uma singela compreensão.
redescobrir,
sem querer,
a dificuldade de amar
e mesmo assim
querer com toda força
tua feição:
tão séria
tão bonita
indecifrável.
não vejo e não vês
mas permaneço
adentro no mais fundo que há em ti
e busco teu coração de menino
tua palavra mais doce - difícil caminho
que percorro sem salvação.
20 Setembro 2011
diálogo infinito sobre a poesia ( um pouco piegas )
pode ser que seja
essa farsa exausta
da Academia -
alguém dizendo
obviamentes
e etecéteras
numa linguagem rebuscada.
pode ser que seja
a minha eterna essência
melancólica,
essa triste condição -
nem a vida
nem a morte
como salvação
e por isso
o tédio.
pode ser que seja
o momento
em que,
desesperada,
amortecida,
sua mão
se estende
negando todo o medo
que cerca minha
mente nebulosa.
pode ser que seja
dentro do meu peito
a vontade de amar
tão profundamente
ultrapassando os limites
do obscuro
e transofrmando
a minha poesia.
09 Setembro 2011
pretinha,
só de pensar
nos dias
e dias
que expandimos
a mente
- como agora
enquanto te escrevo -
me vem uma vontade súbita
de dizer:
fica.
pretinha,
só de pensar
no samba em prelúdio
e nesse teu coração
é que percebo
o quanto não posso crer
nas tuas reticências
....
.............
...................
..........................................
....................................
..............
...
elas
são
tristes
demais.
24 Agosto 2011
I -
se te penso
exausta,
triste passado,
é porque não há mais em ti salvação
essa ponte quebradiça, pássaro manco
memória gasta que
passeia
por entre as cinzas
dos cigarros
que apaguei no peito.
II -
ainda pela beleza
que existe no agora
te vejo em minha frente
percebo os seus menores hábitos
enquanto escolho
o melhor gesto - no momento você está apoiando o braço no próprio rosto
resolvo te amar
sem volta.
31 Julho 2011
por toda poesia que existe
nesse seu sorriso,
te dedico a primeira escrita,
de muitas que virão.
para agradecer toda a inspiração queria dizer cortázar, queria o melhor conceito de poesia pra você ficar com esse olhar que eu nunca tinha visto até então. o conforto do reconhecimento -porque te enxergar agora é o que consigo fazer de melhor.
11 Maio 2011
03 Maio 2011
02 Fevereiro 2011
20 Janeiro 2011
13 Janeiro 2011
Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor
[ (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os
[ cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor
[ (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os
[ cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.
Ana Cristina Cesar
26 Dezembro 2010
21 Dezembro 2010
em lugar de uma carta
fumo de tabaco rói o ar
o quarto -
um capítulo do inferno de krutchônikh
recorda -
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
hoje te sentas,
no coração - aço.
um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
no teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
não o consintas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
de qualquer forma
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
e não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa
26 de maio de 1916, Petrogrado
maiakóvski
( tradução de augusto de campos )
fumo de tabaco rói o ar
o quarto -
um capítulo do inferno de krutchônikh
recorda -
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
hoje te sentas,
no coração - aço.
um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
no teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
não o consintas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
de qualquer forma
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
e não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa
26 de maio de 1916, Petrogrado
maiakóvski
( tradução de augusto de campos )
13 Dezembro 2010
estar sendo, ter sido
poemas de Vittorio com máscara de Luis Bruma, que foi Apolonio, pai de Hillé
I
apaga-te.
o rio não está diante de ti
como imaginas.
há apenas o fosso
e a mesa inundada de papéis:
conjeturas lassas
sobre a aspereza das palavras.
o rio não está diante de ti
está além. viaja.
II
finas farpas, vastas redes
por que te fazes ausente, loucura
há tantos meses
e dás lugar à torpe lucidez
ao nojo do existir
e do me ver morrer?
por que me atiras
à desordem de ser
e à futilidade do mover-se?
carpas crispadas
na toçura das redes.
por que te ausentas, amada
se estou atado, permissivo e luzente
ao corpo do teu corpo que é o lago?
III
tranca-me. teus ares de luta
têm o corpo dos pátios devastados
esses que se sonharam cordas
e por que não cadeados de volúpia?
deita-te.
laça-me os pés. beija-me os passos
para o cárcere da minha volta.
sonha navios. ocasos.
sonha-me trancado. teu.
IV
hás de viver um tempo, morte minha
como se fosse o tempo do viver.
e carantonhas, fogos-fátuos, foices
hão de reverdecer em azul e ocre
e banhado de luz volto a nascer.
hás de viver um tempo, morte minha
como se fosses noite apenas
e haverá pássaros do dia
e nunca mais e nunca mais coiotes.
e nunca mais o sangue em nossos corpos
só luz, entropia, e o riso deslavado
de não ser.
V
Aquiesce. vem ver o barco.
toca as velas de seda
e o opalino do casco:
o asco do adentrar-se na vertigem
essa, onde navegas.
toca teus verdes, esses
que parecem amanhecer
e à noite são memórias
descompasso, perdas.
vem ver o barco
carregoso de sombras de teus atos
vem ver o barco partir para morrer.
aquiesce. vem te ver.
I
apaga-te.
o rio não está diante de ti
como imaginas.
há apenas o fosso
e a mesa inundada de papéis:
conjeturas lassas
sobre a aspereza das palavras.
o rio não está diante de ti
está além. viaja.
II
finas farpas, vastas redes
por que te fazes ausente, loucura
há tantos meses
e dás lugar à torpe lucidez
ao nojo do existir
e do me ver morrer?
por que me atiras
à desordem de ser
e à futilidade do mover-se?
carpas crispadas
na toçura das redes.
por que te ausentas, amada
se estou atado, permissivo e luzente
ao corpo do teu corpo que é o lago?
III
tranca-me. teus ares de luta
têm o corpo dos pátios devastados
esses que se sonharam cordas
e por que não cadeados de volúpia?
deita-te.
laça-me os pés. beija-me os passos
para o cárcere da minha volta.
sonha navios. ocasos.
sonha-me trancado. teu.
IV
hás de viver um tempo, morte minha
como se fosse o tempo do viver.
e carantonhas, fogos-fátuos, foices
hão de reverdecer em azul e ocre
e banhado de luz volto a nascer.
hás de viver um tempo, morte minha
como se fosses noite apenas
e haverá pássaros do dia
e nunca mais e nunca mais coiotes.
e nunca mais o sangue em nossos corpos
só luz, entropia, e o riso deslavado
de não ser.
V
Aquiesce. vem ver o barco.
toca as velas de seda
e o opalino do casco:
o asco do adentrar-se na vertigem
essa, onde navegas.
toca teus verdes, esses
que parecem amanhecer
e à noite são memórias
descompasso, perdas.
vem ver o barco
carregoso de sombras de teus atos
vem ver o barco partir para morrer.
aquiesce. vem te ver.
16 Novembro 2010
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