07 maio 2017

todos querem dizer
nao pare
a minha luta é continuar dizendo
como sobreviver


ninguém sabe
como existir em são paulo sem enlouquecer
eu nao sei mais dizer nada que não seja o buraco escuro que habita
uma ilha


não existe nada
num coração que
circunda esse ritmo de desistência


ELES ESTAVAM CERTOS
a academia não me levou pra nenhum lugar senão
a eterna dúvida
nao pode ser
que exista uma salvação na poesia
a escrita é uma luz
se apagando
na concretude
eu não sou nada senão uma vasta e certeira evasão das
verdades
absolutas
não sou nada senão
a vastidão

12 abril 2017

essa ilha me habita
oceanos de nada 

07 agosto 2016

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ontem eu estremeci. você estava na cama e eu tive aquele ímpeto de chorar.


eu olho você


- um corpo que mal cabe na minha cama de viúva 
pela primeira vez pude analisar melhor teus detalhes – aquele rosto tatuado de diabo definitivamente tinha olhos azuis. 
vasculho seu corpo

atravessando a noite




07 janeiro 2016

eu nunca alcançarei teu coração de menino

I

ainda não estamos exatamente aqui
você ainda não é o que
irremediavelmente se
tornou
um tipo de matéria
inadentrável
não existe salvação
- nao posso crer
você me olha
a cama está arrumada e não existe nada
além de nós

 II

não há nada no lugar
dois corpos estranhos
se conectam num tempo-espaço que não
existe
cachaça
dose a dose -
estou triste como o inferno.




 


22 março 2014






os amigos à mesa:

tua palavra sem concessões
logo a cantar
atônito, bêbado, irritantemente
apaixonado - te amo quero transar.



18 fevereiro 2014

o espaço permanece ambíguo; fonte de desejos intermináveis e
queda

brusca.

 se Deus existisse, com certeza eu estaria chorando.

25 janeiro 2014

não existe uma palavra sequer
que transforme despedidas em encontros

um olhar atravessa a janela,
cambaleia
percorre distâncias -
intangível.
 num quarto de esperas,
os corpos:
areia movediça, desfazem-se em peso
de tempos
em
tempos.


07 agosto 2013

por piedade ausentou-se
e na ausência, pura audácia
 não soube
um verso que coubesse
o descomedido pavor:

acalentou-se de silêncios,
ousados murmurinhos de
lamento.
só e de livre arbítrio, tomou-se por vencido,
na palavra só é possível errar




04 junho 2013

minha mente é natureza duvidosa
 refina apenas
 cinzas de cigarro.
inútil,
transborda em lixo
poético.
transforma em torpe lucidez
as esquisitices
que o amor produz.
eu também não vejo
alarde
não morro
nem
nada.
movendo-me em verdade,
os tremores avançam.
vejo -
sou eu,
descompassada,
sóbria em desejos
tomada por silêncios
de múltiplos
espíritos,
quem vos fala:

clareio
esvazio

 asseguro.
essa haste
se rompeu

31 maio 2013

distancio-me.

se vês bem
 repara

neste solo
(semântico)
fervilha
minha esperança.

28 maio 2013

por puro afrontamento
busco minudências
- aneis de prata, sombras na parede,  timbres,
seu sorriso.
um equilíbrio infindável, piedoso.

inverto os papéis,
abomino as catástrofes do
tempo.
o presente é
outro.

13 maio 2013

I

confio nas distrações da
noite,
vejo uma estrela
     penso estrela

...
.......

...............................

II

- refuto a verdade absoluta do meu
corpo
e flutuo
nas frestas
  da memória da pele -
no coração de Antares 
minha eterna
obsessão:

num rio que não se move,
tu te encontras exatamente
no mesmo lugar -
ignoras teu peito que
GRITA;

 III

no teu mais singelo ato,
nos trejeitos mais comuns de sua natureza (fuma cigarros com inegável charme),
nada em mim
pode dizer
a grandeza deste fato - consumado, destinado, mil vezes incansável -
já não existe em mim a palavra esquecimento.

27 março 2013

23 março 2013

ora (direis) ouvir estrelas

no acaso da poesia
um grande silêncio,

branco na página.

galáxias e constelações,
universos...
dissonâncias sonoras
multiversos de poeira estelar....

09 fevereiro 2013


 a realidade - quem diria -
uma mulher ao lado de um homem;
uma casa pra cuidar, as ervas prontas pra colheita
uma gata, tão bonita, descansando na cama




16 outubro 2012

tua careca brilha
mais que qualquer coisa
nessa manhã de estranhezas

26 setembro 2012

mau poeta

o poeta artesão põe-me em dúvida nas questões mais cruciais;
será que existe em mim algum resquício de poeta?
confesso que em mim deva surgir
uma certa inspiração,
um êxtase inconsciente
de transformar em linguagem aquilo que sinto.
mas hesito,
admito as más construções
e os receios da racionalização.

Me ocorre, inevitavelmente,
a consciência de um horror imediato
real, de sangue, de mim-mesma.
peço humildemente para que reveja, caro artesão:

o real pra mim é apenas escuridão, não posso enxergar.
é na beleza inconsciente
das coisas que não existem dentro de mim
que surgem as palavras.

20 setembro 2012

demonstrativos